>
Mercados Financeiros
>
A Nova Geração de Fundos de Private Equity

A Nova Geração de Fundos de Private Equity

04/06/2026 - 15:52
Marcos Vinicius
A Nova Geração de Fundos de Private Equity

Em 2026, o universo de private equity vive uma transformação profunda. A sucessão de lideranças históricas está dando lugar a uma geração de gestores mais dinâmicos e tecnológicos, capazes de navegar em um mercado com captação desafiadora, saídas mais lentas e LPs mais exigentes e informados.

Sucessão Geracional nas Gestoras

O exemplo mais emblemático no Brasil é o da Crescera Capital. Fundada em 2008 como BR Investimentos por Paulo Guedes, a casa passou por mudanças de marca e estratégia até assumir o nome Crescera em 2019. Hoje, gestores mais jovens estão assumindo a liderança, com Jaime Cardoso e Daniel Borghi como co-CEOs.

A gestora administra hoje mais de R$ 6 bilhões e opera com dois fundos de growth e três de venture capital. O mais recente veículo de VC busca R$ 500 milhões, já registrou first closing de metade do capital e planeja um segundo fechamento para captar mais R$ 100 milhões.

O portfólio deve incluir até 15 empresas no fundo de VC e a gestora projeta concluir toda a captação até o fim do ano.

Estruturas Mais Flexíveis e Inovadoras

O modelo clássico de fundos fechados de 10 anos enfrenta pressão por ciclos de saída mais longos e maior demanda por liquidez. Surge, então, uma onda de novas estruturas sem prazo fixo:

  • Continuation funds para estender participações em empresas maduras;
  • Evergreen funds com periodicidade de resgate flexível;
  • Fundos híbridos e intervalares que misturam private equity e private credit;
  • Rolling commitments que permitem aportes contínuos dos investidores.

Essas soluções atendem ao desejo dos LPs por fundos mais especializados e adaptáveis, reduzindo a pressão sobre gestores sem histórico comprovado.

Private Credit e Arquiteturas Multiestratégia

O private credit deixou de ser nicho para se tornar central no ecossistema de ativos alternativos. Desde 2019, o mercado norte-americano dobrou, atingindo quase US$ 1,3 trilhão, com mais de US$ 400 bilhões em dry powder disponível.

A nova geração de gestoras adota uma abordagem multiestratégia, unindo private equity e crédito privado para criar estruturas híbridas mais robustas e oferecer financiamento sob medida para empresas em diferentes fases de maturidade.

IA e Criação de Valor Operacional

A tecnologia impõe um novo patamar de competitividade. A Deloitte e a EY apontam que a IA deixou o estágio experimental e se tornou IA como diferencial competitivo. Plataformas avançadas alimentam todas as fases do ciclo de investimento, da originação ao desinvestimento.

  • Uso de analytics avançado para sourcing de oportunidades;
  • Diligência assistida por algoritmos que identificam riscos e sinergias;
  • Monitoramento em tempo real de KPIs operacionais;
  • Modelagem preditiva para otimizar saídas e valuation.

Essa combinação viabiliza a criação de valor operacional nas empresas investidas, compensando a pressão sobre retornos puramente financeiros.

O Papel dos LPs e Co-investidores

Em 2026, os investidores institucionais ampliam seu protagonismo. A diversidade de LPs inclui desde fundos de pensão até investidores de varejo e soberanos. Ao mesmo tempo, co-investidores buscam exposição direta a deals mais seletivos.

  • GP-stakes funds que permitem participação no equity das gestoras;
  • Programas de coinvestimento em grandes transações;
  • Produtos semilíquidos voltados para investidores de varejo;
  • Estruturas que aproximam LPs e GPs na governança.

O resultado é uma relação mais colaborativa, mas também marcada por LPs mais exigentes e informados, que avaliam performance operacional e critérios ESG com o mesmo rigor que métricas financeiras.

Perspectivas para 2026 e Além

Segundo a Preqin, o valor agregado dos deals deve superar 2024, impulsionado por grandes transações no terceiro trimestre de 2025. Ainda assim, a captação total permanece um pouco abaixo dos patamares anteriores, refletindo uma cautelosa recuperação da indústria.

Saídas mais lentas e escrutínio dos LPs exigem que gestores alinhem estratégia, tecnologia e governança para se destacarem. A nova geração de fundos combina fundos sem prazo fixo, private credit, IA e abordagem multiestratégia para criar um modelo mais resiliente.

Para investidores e gestores, o momento é de adaptação. Aqueles que abraçarem a inovação e a colaboração estreita com LPs estarão melhor preparados para aproveitar as oportunidades num mercado em constante evolução.

Marcos Vinicius

Sobre o Autor: Marcos Vinicius

Marcos Vinicius é redator no ativaideia.org, especializado em mentalidade estratégica, inovação e desenvolvimento contínuo. Seus conteúdos incentivam transformar boas ideias em ações concretas.