Em 2026, o universo de private equity vive uma transformação profunda. A sucessão de lideranças históricas está dando lugar a uma geração de gestores mais dinâmicos e tecnológicos, capazes de navegar em um mercado com captação desafiadora, saídas mais lentas e LPs mais exigentes e informados.
O exemplo mais emblemático no Brasil é o da Crescera Capital. Fundada em 2008 como BR Investimentos por Paulo Guedes, a casa passou por mudanças de marca e estratégia até assumir o nome Crescera em 2019. Hoje, gestores mais jovens estão assumindo a liderança, com Jaime Cardoso e Daniel Borghi como co-CEOs.
A gestora administra hoje mais de R$ 6 bilhões e opera com dois fundos de growth e três de venture capital. O mais recente veículo de VC busca R$ 500 milhões, já registrou first closing de metade do capital e planeja um segundo fechamento para captar mais R$ 100 milhões.
O portfólio deve incluir até 15 empresas no fundo de VC e a gestora projeta concluir toda a captação até o fim do ano.
O modelo clássico de fundos fechados de 10 anos enfrenta pressão por ciclos de saída mais longos e maior demanda por liquidez. Surge, então, uma onda de novas estruturas sem prazo fixo:
Essas soluções atendem ao desejo dos LPs por fundos mais especializados e adaptáveis, reduzindo a pressão sobre gestores sem histórico comprovado.
O private credit deixou de ser nicho para se tornar central no ecossistema de ativos alternativos. Desde 2019, o mercado norte-americano dobrou, atingindo quase US$ 1,3 trilhão, com mais de US$ 400 bilhões em dry powder disponível.
A nova geração de gestoras adota uma abordagem multiestratégia, unindo private equity e crédito privado para criar estruturas híbridas mais robustas e oferecer financiamento sob medida para empresas em diferentes fases de maturidade.
A tecnologia impõe um novo patamar de competitividade. A Deloitte e a EY apontam que a IA deixou o estágio experimental e se tornou IA como diferencial competitivo. Plataformas avançadas alimentam todas as fases do ciclo de investimento, da originação ao desinvestimento.
Essa combinação viabiliza a criação de valor operacional nas empresas investidas, compensando a pressão sobre retornos puramente financeiros.
Em 2026, os investidores institucionais ampliam seu protagonismo. A diversidade de LPs inclui desde fundos de pensão até investidores de varejo e soberanos. Ao mesmo tempo, co-investidores buscam exposição direta a deals mais seletivos.
O resultado é uma relação mais colaborativa, mas também marcada por LPs mais exigentes e informados, que avaliam performance operacional e critérios ESG com o mesmo rigor que métricas financeiras.
Segundo a Preqin, o valor agregado dos deals deve superar 2024, impulsionado por grandes transações no terceiro trimestre de 2025. Ainda assim, a captação total permanece um pouco abaixo dos patamares anteriores, refletindo uma cautelosa recuperação da indústria.
Saídas mais lentas e escrutínio dos LPs exigem que gestores alinhem estratégia, tecnologia e governança para se destacarem. A nova geração de fundos combina fundos sem prazo fixo, private credit, IA e abordagem multiestratégia para criar um modelo mais resiliente.
Para investidores e gestores, o momento é de adaptação. Aqueles que abraçarem a inovação e a colaboração estreita com LPs estarão melhor preparados para aproveitar as oportunidades num mercado em constante evolução.
Referências