O Brasil tem um potencial gigantesco, mas ainda convive com gargalos que limitam seu desenvolvimento. Rodovias esburacadas, ferrovias subdimensionadas e portos sobrecarregados formam a base de custos logísticos elevados.
Sem uma abordagem estratégica, esses entraves comprometem a competitividade nacional e atrasam o progresso social e econômico de todas as regiões.
Atualmente, o investimento em infraestrutura no Brasil está abaixo de 2% do PIB ao ano, quando especialistas recomendam níveis entre 4% e 4,5%.
Entre 2022 e 2024, a média anual ficou em torno de 1,9% do PIB, insuficiente para absorver a depreciação do estoque existente, estimada em 1,4% do PIB para simples manutenção.
O resultado é um estoque de capital em infraestrutura equivalente a apenas 35,5% do PIB, patamar considerado o pior desde 2013.
A infraestrutura saudável é muito mais do que cimento e aço. Ela é responsável por reduzir custos, aumentar a produtividade e viabilizar a circulação eficiente de mercadorias.
Segundo o Ipea, indução de crescimento econômico de longo prazo ocorre por meio das externalidades positivas geradas em setores adjacentes, como agronegócio, indústria e comércio.
Projetos de transporte, saneamento e energia têm ciclos que ultrapassam mandatos eleitorais. Exigem planejamento de médio e longo prazo, estabilidade de regras e segurança jurídica e previsibilidade regulatória.
Sem continuidade, muitos empreendimentos são interrompidos ou sofrem atrasos que multiplicam custos e minam a confiança de investidores.
Para estabelecer essa previsibilidade, é fundamental consolidar estruturas de governança e mapas de projetos prioritários, mantendo o diálogo entre governos, setor privado e sociedade civil.
A escassez de recursos públicos obriga o Brasil a buscar alternativas de financiamento. Concessões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e fundos especializados têm se destacado.
Em 2024, os fundos de infraestrutura captaram R$ 111,2 bilhões, um salto de mais de 700% em comparação a 2023, mostrando a disposição do mercado em participar.
O estudo do Sinicon projeta R$ 212,7 bilhões de investimentos em 2026, dos quais R$ 142 bilhões virão da iniciativa privada e R$ 70,7 bilhões de recursos públicos.
Em um mundo cada vez mais sujeito a eventos extremos, investir em infraestrutura resiliente é também uma questão de adaptação climática.
O relatório Lifelines do Banco Mundial aponta um benefício líquido de US$ 4,2 trilhões em países de renda média e baixa, com retorno de US$ 4 para cada US$ 1 investido.
Essa abordagem integrada de desenvolvimento sustentável amplia a capacidade de enfrentar enchentes, secas e tempestades, reduzindo perdas e custos futuros.
Alguns segmentos merecem atenção especial, pois apresentam os maiores déficits históricos:
Para superar o atual ponto de inflexão, o Brasil precisa duplicar o ritmo de investimentos e alcançar pelo menos 4% do PIB ao ano.
Superar gargalos de infraestrutura é um desafio complexo, mas também uma oportunidade única para transformar o Brasil.
Com planejamento estratégico de longo prazo, financiamento diversificado e compromisso institucional, podemos construir a espinha dorsal da economia brasileira e moldar um futuro de crescimento sustentável e inclusão social.
O momento de agir é agora: cada real bem investido em infraestrutura é um passo rumo à competitividade global e ao bem-estar de milhões de brasileiros.
Referências