Em um momento crítico para o futuro do planeta, torna-se urgente enfrentar a lacuna de financiamento da biodiversidade. Sem recursos adequados, espécies e ecossistemas intactos correm risco de extinção, comprometendo serviços essenciais ao bem-estar humano. Este artigo visa inspirar e orientar ações práticas para mobilizar capitais públicos e privados em prol da natureza.
Segundo estimativas das Nações Unidas, a proteção e recuperação da natureza demanda pelo menos US$ 700 bilhões por ano. Outras avaliações projetam que serão necessários US$ 598–824 bilhões anuais até 2030 para fechar esta lacuna.
Atualmente, apenas US$ 220 bilhões em fluxos públicos e privados são direcionados à conservação, restando um enorme déficit. Para suprir essa diferença, é imperativo mobilizar rapidamente quantidades substanciais de recursos e unir esforços.
Os governos exercem papel central por meio do redirecionamento de subsídios que hoje prejudicam a biodiversidade. Conforme acordado na Convenção sobre Diversidade Biológica, é preciso eliminar incentivos negativos e criar condições favoráveis para investimentos.
Já o setor privado deve contribuir por meio de incentivos fiscais, garantias de risco e exigências regulatórias que induzam aportes financeiros em iniciativas de conservação. Combinar políticas públicas e inovação privada será a chave para alcançar as metas globais.
O relatório da The Nature Conservancy apresenta nove mecanismos de política e financiamento capazes de gerar novos recursos para a biodiversidade. Entre eles, destacam-se os créditos de biodiversidade como mecanismo de mercado.
Esses créditos certificam resultados positivos em áreas dedicadas à conservação, como preservação de espécies e habitats. Para as empresas, representam oportunidades de demonstrar estratégias de impacto ambiental positivo e agregar valor por meio de cinco formas inter-relacionadas.
A perda de biodiversidade gera riscos físicos e de transição ao sistema financeiro, afetando cadeias produtivas, logística e seguros. Empresas que financiam a proteção natural conseguem mitigar vulnerabilidades e assegurar vantagens competitivas de longo prazo.
Além do aspecto econômico, a conservação concilia ganhos ambientais e sociais, apoiando a mitigação da crise climática e promovendo resiliência em comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais.
O Brasil abriga 20% de toda a biodiversidade do planeta, com cerca de 170 mil espécies catalogadas: 41 mil de plantas e 129 mil de animais. Proteger esse patrimônio natural é imperativo estratégico para a economia nacional.
Entre 2019 e 2021, o país implementou 12 planos de ação em 13 estados, envolvendo governos, municípios e comunidades locais. O “Plano de Ação para Conservação de Espécies Ameaçadas” visa reverter o risco de 171 espécies criticamente ameaçadas.
No Brasil, 110,4 milhões de hectares de vegetação nativa estão em risco de desmatamento legal, especialmente na região do MATOPIBA, com 10 milhões de hectares sob alta aptidão agrícola e fora de áreas protegidas.
Sem proteção adequada, essas áreas podem desaparecer, reduzindo a capacidade de sequestro de carbono e prejudicando comunidades locais que dependem dos serviços ecossistêmicos.
O capital natural corresponde ao estoque de recursos fornecidos pela natureza, como água, solo fértil e biodiversidade, que gera valor econômico e bem-estar. Desvalorizar esse patrimônio leva a perdas irreversíveis e custos elevados de recuperação.
Implementar novos mecanismos de financiamento e políticas que internalizem o valor da natureza é essencial para reduzir práticas prejudiciais que destroem a biodiversidade e mobilizar capitais significativos para a conservação.
Para fechar a lacuna de financiamento e proteger o capital natural, são recomendadas seis ações prioritárias:
Ao unir esforços governamentais, empresariais e da sociedade civil, será possível construir um futuro onde a natureza e a economia caminhem juntas, garantindo um legado de prosperidade e equilíbrio ambiental para as próximas gerações.
Referências