A digitalização dos serviços financeiros no Brasil não é apenas uma tendência tecnológica, mas uma revolução social que redefine a relação dos cidadãos com o dinheiro. Ao derrubar barreiras geográficas e reduzir custos, essa transformação oferece oportunidades concretas de inclusão e prosperidade.
Entre 2022 e 2023, o Brasil avançou 14 posições entre 42 mercados no Índice de Inclusão Financeira, saltando da 35ª para a 21ª posição. Apesar desse progresso, ainda existem 35,3 milhões de brasileiros sem registros econômicos formais, o que equivale a 21,7% da população.
Esse panorama revela que, mesmo com os avanços, milhões de cidadãos permanecem à margem do sistema financeiro tradicional, impedidos de acessar crédito, investir e planejar o futuro.
Na América Latina e Caribe, aproximadamente 26% dos adultos estão fora do sistema bancário. No Brasil, entre 2014 e 2021, a parcela da população sem acesso a contas bancárias caiu de 32% para 16%, uma redução de 16 pontos percentuais em apenas sete anos.
Esse salto é o reflexo de iniciativas públicas e privadas que apostaram em contas digitais simplificadas e em sistemas de pagamento rápidos e de baixo custo.
Pesquisas revelam que 74% dos brasileiros entendem pouco (42%) ou nada (32%) sobre finanças pessoais, enquanto apenas 25% declararam ter conhecimento razoável ou avançado. A necessidade de educação se intensifica em grupos de baixa renda e menor escolaridade.
As principais associações dos brasileiros com educação financeira incluem:
Para transformar conhecimento em prática, é essencial combinar cursos online, aplicativos de gestão financeira e iniciativas comunitárias que estimulem o debate sobre orçamento e poupança.
O avanço da inclusão digital está ancorado em cinco pilares fundamentais:
Esses elementos não apenas conectam milhões de novos usuários, mas também reduzem custos operacionais e ampliam o leque de serviços disponíveis.
A digitalização financeira gerou benefícios significativos para segmentos historicamente excluídos:
Dados do Global Findex mostram que, em áreas com acesso a pagamentos digitais, as mulheres tiveram 9% menos chances de cair na pobreza e consumiram 18,5% a mais, comparadas às que viviam sem esses recursos.
Para as MPMEs, o acesso a operações digitais se traduz em:
Essa dinâmica fortalece a resiliência e estimula a expansão dos negócios locais.
Autônomos e informais agora contam com métodos de pagamento profissionalizados, redução de custos e acesso a benefícios governamentais diretamente em suas carteiras digitais.
Os canais digitais são responsáveis por 40% da educação financeira dos brasileiros. Aplicativos, webinars e comunidades online têm papel crucial para disseminar boas práticas de orçamento, investimentos e poupança.
Além disso, 76% dos cidadãos declaram dedicar muita atenção ao controle das finanças pessoais, reflexo de uma maior conscientização sobre a importância de planejar cada gasto.
Apesar dos avanços, a inclusão enfrenta obstáculos:
É fundamental que governos, instituições e o terceiro setor unam esforços para expandir a infraestrutura digital, oferecer treinamentos e promover políticas que estimulem o uso responsável dos serviços.
Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia devem continuar inovando em produtos que equilibrem praticidade e educação, evitando o consumo impulsivo e fortalecendo o planejamento financeiro.
Com ação coordenada, o Brasil pode não apenas manter a trajetória de crescimento no Índice de Inclusão Financeira, mas também construir uma sociedade mais justa, onde o acesso ao crédito e aos investimentos digitais esteja ao alcance de todos.
O futuro financeiro do país dependerá da capacidade de combinar tecnologia, educação e políticas públicas para garantir que cada cidadão, seja de uma metrópole ou de uma comunidade rural, tenha a oportunidade de prosperar.
Referências